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quarta-feira, 26 de maio de 2010

_______O CICLO_________

Um dia chegarei de mansinho
Tal brisa suave no rosto
Anunciando os brotos das flores
Que rompem o solo
No fim de agosto.
E tu me verás como primavera

Um dia chegarei à vontade
E serei andorinha, livre e solta
Levando versos transparentes
Escritos com amor e paixão
De significados quentes
Lembrando dezembro.
E tu me verás como verão

Um dia chegarei de repente
Num inesperado vento
Como alguém que veio de longe
Cansado e com fome
E aos seus pés, folhas de poemas
Secas e amareladas
Lembrando o fim de março.
E tu me verás como outono

Um dia não chegarei
E serei gélida ausência
Lembrando junho.
E tu me verás como inverno

Percebas então, que findou um ciclo
E que este corpo inerte
Com horas marcadas
Serão as cinzas esbranquiçadas
Um rito para liberar a alma
Num processo místico
E aquele corpo frio que tu viste
Nele habitava o espírito da neve
Num processo metafísico
De ebulição evolutiva
Há de liberar as suas cores
E o céu será o meu prisma
Então serei sete
E não mais quatro

Um dia chegarei rindo e eterno
E tu me verás como arco-íris.

________AL Ceccanho________

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